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    Ansiedade, tristeza e solidão: A tríade que tira a paz de muitas pessoas

  • Ansiedade, tristeza e solidão: A tríade que tira a paz de muitas pessoas

    Um fato muito comum comigo e com muitas pessoas, é que às vezes até mesmo
    sem querer ou perceberdamos muita corda e importância para pensamentos
    vagos que não têm fundamento algum, presenteamos com um belo par de asas as
    nossas imaginações mais inúteis e que em nada fazem somar, alimentamos com
    abundância de expectativas quase o tempo todo aquelas falsas esperanças que
    não possuem conteúdo válido em nossa vida,tomamos diversas decisões
    precipitadamente sem avaliar quais seriam as consequências, somos muito
    ansiosos e por conta disso acabamos errando e nos decepcionando ao invés de
    acertar nas iniciativas, temos que tomar as rédeas da situação e controlar
    isso, mesmo que seja difícil, vale lembrar que tudo isso ocorre num mundo
    em que temos pleno domínio: dentro de nós.
    Na maioria esmagadora das vezes nos arrependemos profunda e amargamente
    depois de agir por impulso, o pior de tudo é que costumamos pensar nas
    consequências de nossas atitudes quando já é tarde demais e os estragos já
    estão todos feitos. Na vida de muitas pessoas assim como já foi na minha
    vida, quase sempre se fazem destacar os momentos de tristeza e angústia
    extrema nos quais ficamos remoendo detalhes amargos do passado que a muito
    tempo já não nos pertencem mais, às vezes damos mais importância para o
    passado e que nele ficou do que o que realmente temos no presente que é o
    tempo que realmente possuímos e o único que nos cabe, ficamos assim
    perdidos na inútil ilusão de saldar as dívidas do passado que se tornaram
    altas demais e não pudemos pagar o preço, ficamos assim com dúvidas em
    relação ao que já passou e também cheio de dúvidas com o que está por vir,
    mas há casos em que somos nós mesmos quem nos negamos a perdoar todas as
    contas, dívidas e erros aos quais nos submetemos e cometemos para seguir em
    frente, algo que não sabemos ao certo o que é nos prende lá trás, não são
    correntes de aço, nem jaulas de ferro, não temos certeza do querealmente
    são, só temos ciência de que são dores de cabeça que se arrastaram para o
    nosso presente e se não tomarmos logo uma atitude drástica, onosso futuro
    também estará abalado e em jogo.
    Hoje corremos muito, pensamos demais e resolvemos diversas coisas ao mesmo
    tempo, sofremos tantopor antecipação, eu confesso, sou uma destas pessoas
    que sofrem! Vamos conferir a porta várias vezes, mexemosna pia incansáveis
    vezes e nem vamos falar a respeito da janela, esfregamos as mãos, coçamos a
    cabeça incansáveis vezes, roemos as unhas, tudo isso entrega um “portador”
    da cruel ansiedade… Imaginamos que tudo pode acontecer ao nosso redor,
    mesmo que nada se revele ou nos aconteça, continuamos a imaginar desastres
    aos montes! Achamos que a casa vai desabar, que o chão sobre nossos pés vai
    ruir a qualquer momento, que mais hora menos hora possamos vir a ter um
    infarto do miocárdio, sentimos dores de cabeça às vezes sem explicação em
    consequência da ansiedade, os comprimidos já não surtem mais efeito e não
    conseguimosnos controlar, quem está de fora assistindo e não compreende nos
    taxam de malucos, de loucos, de débeismentais, mas apenas nós sabemos o
    tamanho do desespero que reside em nós, a ansiedade é dominante e nossa
    capacidade de controle sobre ela é um elemento neutro e recessivo, ela se
    torna um inimigo que age em nós e parece ser indomável, precisamosentão nos
    achar, pois estamos completamente perdidos em nós mesmos na busca
    incansável e descontrolada por avançar, chorando pelo que já
    passoutrabalhando pouco pelo que realmente almejamos, ao mesmo temponos
    encontramos preocupados demais pelo que está por vir e neste cenário
    atemporal nosso presente se torna um verdadeiro inferno, um grande campo
    minado onde se torna perigoso trafegar tanto para mim quanto para os outros.
    E como quem vive corre sérios e certeiros riscos de se decepcionar e se
    emocionar declaro que sempre sofro alterações emocionais interiores e
    exteriores, uma vez que meus sentimentos moldados e acomodados tal como um
    castelo de cartas, basta apenas um leve soprar dos ventos para que ele
    venha todo abaixo, porém, as tempestades que se formam dentro de mim causam
    verdadeiras catástrofes, tornando quase impossível de se manter de pé ou de
    se reerguer logo de imediato e assim vou vivendo e aprendendo, como único
    sobrevivente de cada naufrágio interior, quase sempre pareço só, preciso
    aprender a lidar comigo mesmo, com meus altos e baixos, com minhas
    fraquezas mais comuns, até as maiores síndromes que trago comigo ao longo
    desta vivência que tem momentos de loucura, confusão e agonia. Sei que devo
    me manter no foco, sem deixar nada me desviar do meu caminho, o problema é
    que sempre aparece um obstáculo no qual eu não estou preparado para escalar
    e nem posso contorná-lo por que ele é muito largo, nem muito menos posso
    escavar e passar por debaixo dele, pois é profundo… São obstáculos como
    este que me faz parar por alguns instantes e repensar nos meus conceitos e
    sonhos, vem aquela leve vontade de deixar tudo, de desistir de tudo, sei
    que não é o certo a se pensar ou fazer, mas quem nunca pensou nisso como
    opção num momento de fraqueza? Diante às dificuldades fico desarmado sem
    forças para lutar de igual pra igual com as dificuldades que aparecem,
    hesito um pouco, neste vasto e ao mesmo tempo pequeno oásis que se chama
    vida, que diversas vezes parece ser mais um campo minado tornando difícil
    de dar um passo em qualquer direção, correndo o risco de me ferir numa
    grave explosão.
    Comigo não foi e não é diferente, ainda mais eu, um devasso dos
    sentimentos, um ébrio na calçada fria e ao mesmo tempo calorosa da vida, a
    conheço de longa data, formosa e encantadora, me embriaga com seu vinho que
    é doce na boca, mas amargo no estômago, ela que vestida a caráter com o
    preto do luto, enfeitada com o véu da amargura, cavalgando a galope num
    negro cavalo, que faz um barulho ensurdecedor de sua ferradura: Saudade é o
    seu nome, que no lombo de seu cavalo traz ligeira todas minhas lembranças
    mais íntimas, frias e sórdidas, a muito já enterradas no túmulo do
    esquecimento, esta saudade angustiante que maltrata o meu ser é um dos
    combustíveis que alimenta minha ansiedade, castiga vorazmente também o meu
    coração ora sensível, ora bravio. Ela, que como o vento frio do inverno vem
    de onde eu não sei, asfixiando minha paz, esmagando minhas alegrias,
    trucidando as esperanças expulsando-as para dar lugar às tristezas, logo,
    minhas expectativas vão aos poucos se dissipando em frias e densas
    lágrimas, neste cenário de tamanho sufoco torno-me refém de seus caprichos
    preso em minha mente, no cárcere da emoção, no cativeiro da tristeza, no
    calabouço da melancolia. Quase sem forças para lutar pelo baque que tomei,
    deixo-me levar por um instante e quando vejo, já é tarde demais, quando me
    dou conta da minha gravidade emocional já parece ser eterna esta saudade,
    que pouco a pouco destrói um pedaço de meu coração a cada segundo… Num
    súbito inesperado mudo da água para o vinho, no instável palco das emoções
    profundas.
    A solidão, que é uma ferida não cicatrizada a acompanha: É a sua fiel
    escudeira, a sombra fria que cobre meus pensamentos, enaltecendo minha
    ansiedade e me deixando com tempo de sobra para sentir saudades, o negro
    reflexo destes paradoxos insanos e pertinentes… A solidão bordada com
    detalhes, toda trabalhada no percalço desta angústia, inteiramente
    engomada, usa trajes psicodélicos, me perturba noite e dia sem descanso,
    sem trégua, ela impede que eu escoe esta saudade pelos vãos dos
    pensamentos, nem com falas, nem com ações consigo me libertar desta jaula
    interior, com grande artimanha ela se apossa do meu intelecto e anestesia
    minhas defesas: não consigo sorrir, nem gritar… Sendo assim no ímpeto
    destes fatos dramáticos, não posso desabafar ou desintoxicar minha mente,
    nem me libertar destas correntes e algemas forjadas no mesmo fogo ardente
    das paixões profundas, que me prendem sem piedade a estes fatídicos
    momentos de perdição emocional. Sendo assim me falta o ar e aumentam-se as
    palpitações, a taquicardia parece uma tropa de cavalos selvagens fazendo
    tremer o chão da relva, que é a região central de meu peito, neste instante
    eu me calo, falo pelos olhos e ouço por eles, sinto através deles… Como de
    costume fico parado, deitado, atirado ao chão, remoendo pensamentos
    irritantes que gritam bem lá no fundo do meu córtex cerebral, fico tentando
    digerir esta carga explosiva e excessiva de alimento intelectual que me
    deixa abarrotado, preciso então de uma urgente limpeza para remover o lixo
    que acumulei ao longo dos dias, preciso de asas: asas para a liberdade…
    Preciso de novas rotas e novos caminhos, estou tentando escapar das garras
    desta saudade profunda que ameaça os meus poucos resquícios de alegrias
    momentâneas que são ameaçados pela ansiedade…
    Trava-se um imenso diálogo entre mim e a tristeza, um diálogo mudo sem uso
    de palavras, mas que têm imensa carga sentimental negativa, resultado dos
    afetos perdidos que deixei nas gavetas vãs dos meus pensamentos esquecidos
    pelas frestas da memória, quando acho que vai acabar, vejo que estou
    enganado, a solidão que me corrói tem a mesma intensidade desta tristeza
    que num embate único derruba minhas defesas para enfim tentar me derrubar.
    O campo sentimental não pode ser abalado, uma vez abalado ficamos com o pé
    atrás, a ansiedade entra feito um raio em nossas veias acompanhada do medo
    e descargas horripilantes de adrenalina e nos deixa a mil, como lidar com
    isso? Sofro por antecipação, tenho medo de quase tudo, tudo que faço está
    limitado a tudo que sinto, sou inseguro, estou sendo conduzido novamente à
    gaiola psíquica que os sentimentos anteriores citados, meus sentimentos
    armaram para me prender, me deixando inerte e incapaz privando-me da luz,
    das alegrias, dos calores aconchegantes dos sentimentos positivos. Tristes
    são todos aqueles que não sabem organizar ou reorganizar seus pensamentos
    numa escala crescente que vai dos pequenos desejos até os grandes desejos
    almejados em sua vida, que não respiram fundo e param só por um momento, ao
    invés de logo desistir, que não se calam quando for apropriado e nem sentem
    firmeza no chão que pisam, pois antes mesmo de pisarem, não têm a certeza
    plena do passo que estão prestes a dar, infelizes todos que com pensamentos
    meros e ao mesmo tempo dominantes deixam-se cair na grande rede da
    ansiedade, nas teias pegajosas do medo, se perdendo de si mesmas na
    gigantesca e diária rebelião interior de sentimentos, na qual devemos cada
    dia bolar um plano para sairmos vencendo ao invés de vencidos, rebelião
    esta na qual a tristeza não vencerá e reinará única e absoluta caso você
    não lute com todas suas forças contra ela, deixando que passado e futuro se
    unam em um só e roubem a paz que você tem no presente… Amargurados,
    amargurados estes que sofrem pelo que já passou e pelo que ainda virá, ou
    de repente nem virá. Pobres em espírito estes que desconhecem totalmente a
    força e a vontade de viver e vencer que guardam dentro de si mesmas, mas
    que estão retidos por um pequeno muro de sentimentos torpes e
    insignificantes que aos poucos, como uma pequena bola de neve, se tronam
    grandes e fortes tal como uma rocha, por não encontrarem pela frente
    resistência contra eles, se fortalecerão cada vez mais, até que tomarão
    conta de você por completo. Infelizes todos estes, desta enorme estatística
    global, que modéstia parte, eu admito participar.
    De fato, sei que é inconcebível uma vivência perfeita, em que tudo está em
    perfeita ordem, onde todas as coisas giram na órbita da harmonia sem se
    chocar ou colidir umas com as outras, porém, há momentos em que a tristeza
    sim se sobressai e pra piorar, com muitos pontos de vantagem sobre as
    minhas alegrias interiores que tenho, como todo ser é dotado de duas fases:
    Uma de bons momentos e realizações e outra de maus momentos e fracassos, é
    preciso ter cuidado e cautela para não cair na cilada da angústia nem
    deixar que os níveis de um nem de outro transbordem dentro de mim, devemos
    sempre tentar manter o meio termo das circunstancias, o grande problema se
    resume a uma simples e ao mesmo tempo complexa questão: Criamos e colocamos
    expectativas demais em sonhos e ocasiões que ainda nem se realizaram ou
    aconteceram, são estas coisas sim muito importantes, todavia, como tudo tem
    sua hora, lugar, tempo e espaço para ocorrer, elas devem ficar em seu
    devido lugar na linha do tempo dos acontecimentos de uma vida para que na
    hora certa aconteçam. Cada sonho e cada acontecimento, pois a vida segue a
    uma ordem, um padrão, mas por sermos tão ociosos e querermos tudo para
    ontem, acabamos adiantando tudo sem que seja necessário e é aí que o trem
    da emoção se descarrilam de novo a ansiedade entra em cena. Estamos vivendo
    numa sociedade que não sabe esperar a hora certa de colher os frutos de
    sonhos plantados ao longo de toda uma vida, querem cada vez mais e mais
    regar os sonhos com “agrotóxicos” para que produzam mais e depressa, como
    resultados, tais sonhos acabam se tornando obsoletos e insatisfatórios, sem
    cor, sem sabor e sem muitos benefícios, sem esforços não há vitórias que
    façam jus ao esperado. Temos outro problema grave atualmente: Deixamo-nos
    abater com fatos que não são de suma importância em nossa jornada, mas que
    por termos os alimentado com muitas falsas expectativas, elas se tornaram
    tão agradáveis a nós e de certa forma até já são consideradas ganhas,
    conquistadas e realizadas, mesmo sem ser, apenas no espaço infinito de
    nossa mente, ocorre de tal forma que até parecemos nos esquecer da
    realidade dos fatos e passamos a navegar num mundo imaginário que
    embarcamos, onde tudo satisfaz nossa fome de desejo, pois nele tudo é
    possível, porém não é bem assim, nos decepcionamos completamente quando o
    navio naufraga ao colidir com o duro e gigantesco iceberg da realidade, por
    termos alimentado tanto estas ilusões, acabamos nos chocando violentamente
    contra uma parede de vidro que nos possibilita ver todos os nossos planos e
    expectativas indo embora, então podemos enxergar que estávamos numa
    realidade na qual vivíamos uma “deliciosa” ilusão, que tratamos de
    alimentar com as nossas próprias forças falidas do intelecto.
    Temos que aprender a viver um dia de cada vez, viver somente aquilo que há
    para viver, aquelas horas e minutos que a nós foram confiados, necessito
    aprender a organizar as coisas e viver cada drama a seu tempo, cada medo e
    sua respectiva intensidade no momento devido, precisamos aprender a lidar
    com o presente e somente com ele, pois não podemos deixar um tempo que já
    não nos pertence mais afetar a nossa vida, do mesmo modo que não podemos
    nos permitir sofrer por aquilo que ainda não chegou para nós, enfim, nós
    precisamos parar de sofrer tanto por antecipação, pois sendo assim, nos
    libertaremos da maior prisão que nos encarcera: A nossa própria mente. Com
    nobre reconhecimento de nossas tolas mazelas, temos que nos sentir mais
    seguros de nossas ações, termos plena e total confiança em nós mesmos,
    embarcando no navio da tranquilidade no cais da instabilidade emocional.
    Estou totalmente ciente de que os fantasmas que me assombram não são
    poucos, mas um a um, preciso os eliminar de tal forma que quando todos
    forem eliminados, eu redescubra enfim toda minha força interior que a muito
    fora tirada de mim… Preciso ser mais tolerante e fiel comigo mesmo, tenho
    que ter a plena consciência de que o tempo que me cabe é o agora e não há
    outra coisa com que devo me ocupar, tenho que aprender a lidar comigo mesmo
    libertando-me das correntes invisíveis que me prendem e me impedem de
    seguir, preciso enterrar meu passado sepultando-o junto com estes medos e
    fantasmas que o acompanham, preciso selar meu futuro e deixá-lo lá, inerte
    e intocável até que chegue o momento certo de vivê-lo enquanto isso, devo
    me ocupar com o tempo que me cabe e trabalhar com todas minhas forças para
    que ele chegue e seja vivido da melhor maneira possível: Intensa e
    satisfatoriamente.
    Sei que lá fora tudo é diferente, os medos são mal interpretados, as manias
    não são compreendidas, tudo é mais severo que aqui no meu aconchego
    emocional, lá fora os leões que rugem são mais ferozes, os obstáculos são
    mais difíceis de atravessar, as perdas são mais dolorosas e os medos são
    muito mais assombrosos, lá fora cada qual defende apenas o seu ideal sem se
    preocupar com quem está do seu lado, a concorrência é enorme e desigual, há
    fome, miséria e preconceito, muitos se perdem nesta batalha tão injusta,
    ficam para trás e para trás cada vez mais longe, ficou pelo meio do
    caminho, sem braços para o erguer novamente, sem forças para continuar
    lutando, sem auxílio psíquico para se restabelecer, ficou perdido e
    abandonado sem muitas chances de superar esta queda, lá fora é assim… Quem
    não estiver devidamente preparado e ciente das lutas que irá enfrentar,
    jamais vencerá lá fora, naquela densa selva, temos que usar nosso dons,
    qualidades e sentimentos a nosso favor para que eles nos fortaleçam e não
    ao contrário.

    Júnio Liberato Luz